Sexta-feira, Outubro 16, 2009

Glossário

Confiança é alargar os espaços, diminuir as restrições, aumentar as permissões, zerar as diferenças, dar corda...
Confiar é uma coisa bastante complexa.

Já a traição é simples. Basta pular a cerca.


SnowFlake

Terça-feira, Setembro 01, 2009

Poesia

ANÚNCIO - VENDO
(04/08/04 Cláudia)

Vendo uma cama grande demais
alguns cabides nus
duas gavetas vazias
um copo com hálito
e tres cobertas frias.

Vendo um cinzeiro com baganas
umas gravatas bacanas
um travesseiro de penas
meu eu entre as pernas.

Vendo a copia da chave
um shampoo pela metade
um velho aparelho de barbear
e ganhe grátis o meu ar.

Vendo uma escova de dentes usada
e um creme dental apertado no meio.
Vendo os meus dois seios
e minha camisola rendada.

Vendo um criado-mudo
cheio de fotos deixadas.
vendo meu album de casamento
da lua-de-mel
e de noites estreladas.

Vendo o meu coração em pedaços
meu corpo aos trapos
minha boca beijada.

Vendo tudo o que foi
tudo o que está.
Vendo quase nada.



Vendo
(04/08/04 Everton)

Dois olhos gastos
Um pedaço de sonho
Velho mas intacto
Vendo fatos leves
E uma lágrima santa

Raridade

Vendo uma saudade
Grande
E um sorriso torto
Caiu no chão

Pequeno acidente

Vendo
Duas mãos espalmadas
Feias de dureza
Mas ainda sensíveis ao toque
De um rosto

Vendo
Dois lábios calados
Com um pequeno defeito
Só se abrem para beijos verdadeiros

Vendo um coração sem jeito
Um pouco antigo
Fora de compasso
Em pedaços
Mas com belos traços de carinho
A quem se interessar
O amor vem junto
A quem jurar paixão,
Alugo

E para quem conseguir juntar as partes
O coração é grátis


Compro
(05/08/04 Maia)

uns sonhos loucos
pensamentos soltos
sentimentos doidos

agora

Compro
uma vontade de estar perto
urgência sem remédio
saudade sem tédio

sem demora

Compro
um sorriso aberto
sem medo
sem graça
sem vergonha

sempre

Compro
um corpo quente
pras mãos frias
a febre
sem mazela conhecida

diariamente

Compro
uns lábios macios
de vontade
uma boca molhada
de saciedade

Compro
um coração
acostumado com a queda
feito colcha de retalho
a mais bela
um peito aberto pra janela

Compro tudo isso
e um pouco mais
compro de mim mesma
e guardo pra ti
pra quando chegares de longe
e não quiseres mais partir


Snow... bom, eu só fiz mesmo foi me emocionar com isso. O autores são da Jucunditas.

Sábado, Julho 25, 2009

Contraste

Um amor criado em cativeiro encontra um amor selvagem.
O amor bicho solto fica. Amordaçado vai...
Já o amorzinho manso, a mando do outro, vê a porta aberta... e não volta mais.


Snow

Quinta-feira, Julho 16, 2009

Às margens da esperança

O que é que a gente faz quando gosta de alguém que não gosta da gente? - "Ah, daí a gente desgosta", me desinquiriu. Não tivesse essa nossa conversa sido, nem não sei se gostasse tamanho. E não por as idéias só, entanto no ato de. Estimei mais por justo ela ter me desgostado. A gente toma de paixão aquilo que perdeu e que já foi, nem que por obra de imaginação, nosso pertencido. Na frieira que me lembra mais, estando mesmo nós dois agazalhadim, se aconchegando. Mas por que?, o senhor me pergunte, o senhor me escute, que eu disse na crueza não ter a maior estimação por si e verdadei. Eu tinha posse, então não me afligia mais de gostar. No que ela, consoante do seu pensamento, resolveu criar desgosto em mim. Na insta hora, se acresceu ela por aqui de dentro. Disse p'r'ela: Ouça, falei no falar, bobéia minha, nem não conheço o que me penso, você me sabe - já era tardio. Agora tenho fé que, se insuflar no pensamento meu, que nem não seja provado de reaver seu ter, desencareço. Mas é dito: a esperança é a última finada. Trocar não há, os gostares só se crescem. Gosto inda d'outras, já mais desiludidas. A que conto tenho mais fresca na memória. Lembro dos seus olhos comprazentes, no à sós ela me espiava. Sei só o tempo pode, já não afeto mais, fico a des-esperar. Ah, se.


(Milton Betty)

Domingo, Junho 21, 2009

Crianças

Cheguei em casa com oito esqueletos de dinossauros do comprimento de uns 30 cm cada, acompanhados de suas réplicas menores, com pele, olhos, e cada qual com sua árvore e manual de montagem... Ainda assim, levava em média 5 a 10 minutos para montar cada fóssil de plástico fluorescente os quais comprara fiado no camelô perto do trabalho com quem ainda deixei guardado mais 4, que completavam a coleção, mas que na ocasião, eu não os podia carregar. No meio dessa tarefa quase árdua, um diálogo:

-Titia, João Matheus tem um esqueleto de dinossauro parecido com esses só que é pequeno e branco e não desmonta não, já veio montado.
-Hum.
-Titia, João Matheus disse que aquele esqueleto foi Papai Noel quem deu.
-Pois diga pra ele que os seus quem deu foi Titia Noel.
-E existe Titia Noel?!
-Existe sim: Eu!
-Ahahahahahaaahah!!!

Acho que a origem da lenda do bom velhinho está associada a um também velho ditado que diz respeito aos milagres que são desconsiderados se feitos pelos santos de casa. É verdade, a vida é assim...

No auge dos seus nove anos de idade meu sobrinho não acredita mais em mim.


Snow, com os dedinhos doendo de tanto apertar pinos de ossadas...

Confissão de Fidelidade

Quando tinha 8 anos, me apaixonei pela primeira vez.
A criança tinha 7 anos e cabelos compridos e por esse último detalhe eu não sabia se era menina ou menino. Por esta razão e por alguma outra que desconheço sempre lhe fazia a mesma pergunta e, apesar de ouvir sempre a mesma resposta q às vezes vinha irritada, a esquecia quase que instantaneamente.
Na véspera do último dia de aula, me dei conta q veria pela última vez do ano aquela pessoa, então fiz um plano de perguntar e me esforçar muito pra memorizar a resposta, já q levaria um tempão (naquela época às férias eram um tempão) sem que pudesse fazê-la novamente. Era um menino. Chamava-se Valquer. Ou Valter. E é uma pena que eu não tenha incluído também esta resposta no plano.
Ano seguinte, depois de procurar por ele em todas as possíveis salas até o final do primeiro semestre, me convenci que se ele não voltasse depois das férias, era porque, por mais duro que fosse entender isto, já devia estar estudando em outra escola... Semestre seguinte parei de procurar. Mas não de pensar que o via pelos corredores, distante e de costas, ou em alguma sala que eu não enxergava e não podia entrar.
Quando o ano letivo acabou coloquei um prazo pra essas visões acabarem: o início das aulas do ano seguinte.
Válter, ou Válquer, não voltou.
Foi assim que aos 10 anos eu consegui o meu primeiro grande problema: o que fazer com as paixões perdidas? Só 10 anos depois descobriria que essa resposta não é dada na escola...
O vazio deixado por aquele ser humano branquinho, mais novo e de cabelos compridos foi se tornando mais fraco com o tempo... E vez ou outra tirava um tempo pra dedicar-me a apenas recordar como ele era e como éramos, quando ele era comigo. Nesses minutos, nessas horas, eu chorava. Chorava como uma adulta...
Tinha um terrível medo de que a lembrança dele se afastasse de mim. Queria muito ser forte o bastante pra jamais permitir. Tinha um medo enorme de meu coração o trair.
Só 20 anos mais tarde começaria a entender que é possível estar-se apaixonado por várias pessoas sem que se possa trair nenhuma delas. Porque é possível até que nenhuma delas saiba desta paixão que se tem. Porque o coração tem mais quartos que uma pensão de putas. Como li no Garcia Marques, Memórias de Minhas Putas Tristes.
Mas há 20 anos atrás, quando apareceu um outro rapaz em minha vida, não poderia suspeitar que nada disto existisse.
E este segundo foi mais um dos muitos que jamais souberam que eu o amava.
Esse tinha nome, sobrenome, perfume, era mais velho, moreno... Pra este eu fiz minha primeira carta. Que ele jamais supôs que fui eu quem a escrevi. Isto porque, na minha ânsia de impressionar, imitei a letra de uma menina da sala que eu achava que tinha letra bonita. Foi assim que ele leu meu escrito... E se apaixonou perdidamente por ela...
Ah, meu Deus, como eu sofria vendo ela o rejeitar como a um cachorro! Lembro que cheguei até a conversar com ela pra que o aceitasse. Não agüentava mais vê-lo sofrer.
Já a essa altura o clima tava meio tenso no meu coração. Ora este ora aquele amor me vinham à lembrança e eu sofria por não ter vindo o que eu queria ou por não empatarem, como eu achava que deveriam.
Só que dessa vez fui eu quem mudou de escola. E de bairro. E de vida. (Taí uma coisa que, se um dia filhos eu tiver, jamais quero fazer a eles: roubar-lhes com a distância os amigos de infância. Porque talvez sejam estes os melhores que uma pessoa possa ter na vida.).
Longe, e novamente só com a memória, decidi então tirar dois tempos onde, num momento, me lembraria de um e, noutra hora, recordaria o outro. Assim, equalizando a quantidade de lembranças e emoções e lágrimas, acreditava estar dando assistência a ambos os meus amores. Pouco suspeitava que o remédio que decidi tomar pra não trair era o que anos depois teria gosto de veneno.
Sei que já contei essa mesma história aqui, noutro post que não lembro, e sei que é só mais uma reeditada.
Nunca entendi bem a mudança. Nunca encarei como bom um final. Preferi sempre deixar estas questões mais complicadas pro Tempo resolver. Ele que é meu chefe, sabe mais das coisas que eu que, no fim das contas, só faço mesmo o que ele manda.
Mais sei que é bom este momento em que o layout atual fica mais fraco porque uma nova configuração está sendo instalada...
Ah como eu adoro histórias novas com seus começos que enchem nossa mente de beleza e de gentileza e de encantos e de graça...! Ah como gosto de novidades capazes de ofuscar lembranças empoeiradas! Puxa, eu gosto disto demais!

Sabe quando acontece uma coisa nova assim, muito boa pra a gente e ficamos morrendo de vontade de contar? Pois é, era sobre isto que eu queria falar!

Mas daí que comecei a escrever... E voltei no tempo muitos anos atrás.


Sonw, de sua coleção particular de histórias que não servem.

Segunda-feira, Maio 18, 2009

Esclarecimento

Amigos, não se desapontem comigo, mas eu não gosto de pessoas.
Gosto de histórias de pessoas.
E nem a história normal, aquela grafada nos hieróglifos dos prontuários médicos, carimbada nas certidões públicas, lavrada nos autos, fotografada, filmada, assinada... Não, nada disso! Eu gosto mesmo é da história contada.
E nem da história em si, que a história per si não diz nada, mas da pessoa ali na história, enfim.
Amigos, por favor, não se aproximem de mim! Não tenho algo assim pra compartilhar. De modo que prefiro, para este meu criterioso e ao mesmo tempo irregular deleite, me dar com estranhos, que me entranhar em tantos com os quais tenho que lidar.
Seria bom ser antropóloga, sozinha, numa tribo distante olhando com olhos de viajante aquelas vidas nuas, encobertas de símbolos para decifrar. E estar ali, protegida por ter só a mim, ir aos poucos me perdendo... pra depois me reencontrar.
Como sei que pessoas são criaturas discordantes de tudo que se fale delas, por favor seres, não peçam que os aconselhe! Admiro vocês de longe... De longe os amo, de longe sou fã, de longe sou íntima... Isso tudo sem tocar.
De perto quis ver a poucos... Ah, mas sobre estes poucos, não precisei ouvir histórias pra gostar! Sei daqueles que não diziam muito, bem mais do que se poderia desvendar.
Eu gosto de ouvir o ritmo, as pausa, os gracejos, os trejeitos, o sotaque, as gírias... Gosto do silêncio, dos soluços, do gaguejar...
Às vezes nem me interessa a história. Basta-me a prosódia.
Amigos, já conversei com pessoas mudas, vocês acreditam? E não foi naquele alfabetozinho das mãos, mas conversei sorrindo. Chorando... Somente com o olhar.
Já um dia desses, um desses meus amigos que tanto dizia gostar de me ouvir falar, tava com vontade de me dizer umas coisas e veio, como se num palco, disse uma porção de coisas, sabe? Começou a gritar. Eu, não disse nada. Mas é o tipo de coisa que não dá pra deixar pra lá. É o típico comportamento de amigo. Desconhecidos conhecem bem o seu lugar.
Meus caros amigos, é o seguinte, não há vivente que goste de ouvir verdades. (E quando não são, menos ainda.). E além do mais sou dessas que não ando por aí dizendo coisas sobre pessoas, nem ouvindo pessoas que dizem coisas. Eu gosto de crônicas, de romances, de poemas... Histórias que alheios expressam de si, dos seus... Gosto de temas e nem gosto de repassar!
Há umas poucas pessoas, amigos, que ouço em todos os sentidos. Ouço com a pele, com os olhos, ouvidos, ouço com o respirar. Mas no mais, sou bem mais os estranhos em suas estranhas distâncias... Casuais, virtuais, circunstâncias.
Vocês, meus amigos, me desculpem, mas não gosto e nunca me interessei pela vida real.

E além do mais, sinceramente amigos, vocês falam muito mal.


Snow, aobre educação, comportamento, caráter... essas coisas difíceis de ensinar.

Terça-feira, Maio 12, 2009

Oficial

O médico hoje diagnosticou que eu tenho comportamento hormonal adolescente.
(Rs)
Quem não sabe?!


Snow, querendo mais é novidade!

Sexta-feira, Maio 01, 2009

O que você está fazendo?

Eu twitto
Tu twittas
Ele twitta
Nós twittamos
Vós twittais
Eles twittam

Acreditam que já conjuguei o modo indicativo todo? Pois é, tava sem fazer nada.


Snow, apaixonada.

Bagunça

As coisas estão todas apertadas sobre coisas.
Espremidas aonde cada coisa é uma coisa só...

E reparei que tenho muito espaço para guardar espaços.


Snow, que mudou de casa e de tempo.

Sábado, Abril 25, 2009

Bug's life

Um gafanhoto audacioso perde a cabeça e pica a esperança.
Esta assusta-se afônica, mas para surpresa de si mesma, maripousa-se no olhar que a corteja.
O cinzento não sabe ainda que ela é de escorpião.
Tão pouco suspeita da sua fama de viúva-negra.
Sabe apenas que esperança não é barata. Mas, sem que possa conter o formigamento, pede-lhe o telefone! (Ainda que com a pulga atrás da orelha.)
A esperança grilada diz o número errado.
Porém, arrepende-se. Esperança escaravelha, já não é mais uma joaninha-ninguém verde-adolescente.
O gafanhoto, antes zangão, louva-deus de tão contente. E como há muito não fazia, logo mais passará no barbeiro. Ele gosta tanto do cabelo encaracolado dela...
Ela teme que ele seja um carrapato - embora desconfie que tá mais pra lesma.
O gafanhoto acredita que acertou na mosca.

A esperança borboleta-se.


Snow, que queria ser um mosquitinho...

Segunda-feira, Abril 20, 2009

Polar

Chegou a época do tempo frio, da casa fria, das águas. E é inevitável não escrever sobre o frio sob o frio.
Sinto que estou cada vez mais fria que o frio que sinto.
“Bobagem” - diria aquele que pudesse chegar mais perto. - Mas eu já estou bem distante.
Nem o “esquente” na estação de ginástica montada às pressas pra preencher o espaço e o tempo vazios fazem lá essa diferença que imaginei que faria. É verdade, a diferença só vem com o tempo... E maldito seja esse tempo frio!
É nessa época também que me recordo do quanto fico trêmula com o vento. E o quanto me custa lavar os cabelos, os pratos, as roupas...
Curiosamente lembrei sobre a explicação que me deu certa vez a vizinha quando lhe questionei porque envolvia com tantos panos o aparelho de som e a tv: “É o seguinte, quando a minha televisão pifou e eu levei na assistência, o técnico me disse que era problema de 'solda fria'”. Entendi que ela os enrolava assim pra aquecer a solda...
É... aquecimento e enrolação têm lá seus pontos em comum. Pensando bem, tudo a ver.
Houve quem rejeitasse o lençol pra se acostumar com o frio...
Quem, de tão quente, ligava o ar na potência máxima...
Enrolados que não esquentavam com nada.
Frios que preferiram não enrolar...
Tantos invernos, jardins, infernos, afins...
Procurando por uma palavra específica encontrei sem querer numa caixa antiga um e-mail esquecido. Bateu aquele velho frio na espinha.
Quando do canto dos olhos já despontava um filete quente que escorreria na face derretida, finalmente a vista alcançou a assinatura daquela carta curta, fruto de uma espera comprida, sem prova, sem papel, sem envelope, sem selo...

No final do texto dirigido a uma certa Snow, se despedia com um singelo “beijo, Gelo”.


Snow, brrrr!!!

Sábado, Abril 18, 2009

Re-visão

Fiz exame de coração ontem
E descobri
Que aqueles batimentos todos que escrevi
Nos versos
Nas madrugadas de tédio
Nas solidões
Nada afetaram

Não me curaram
Nem me fizeram adoecer
Foram ineficazes
Em sua forma de ser

Engraçado...
Ele ficou por tanto tempo parado
E nas minhas veias só circulava você

(...)

Como ainda consigo viver?


Snow e Rafa(eu), por MSN.

ECG

Fiz exame de coração ontem.
Aqueles batimentos ali, no papel, não me disseram nada...
Pegarei o laudo na quarta:
Edifícil Vila Moreira, 5º andar.
Meu coração agora fica por aí,

Sem parada.


SnowFlake

Terça-feira, Abril 14, 2009

Alta

Gosto de admirar a Psicologia vestida de seda e renda ir lentamente se despindo dos conceitos e ficar à meia-luz... Quase pura, quase pouca...
Ela me olha e é sob este encanto que sorrio...
Não sei se gosta de mim
Ou se o faz apenas para seu bel prazer
Mas é bom vê-la se mover
Sobre certos posicionamentos
Em geral rígidos
Mas que habilmente sabe desmanchar
Em líquidos...

Gosto de fazer carinho na Psicologia
Tocar de leve seus lábios, a pele...
Encostar minha alma cansada
À sua almazinha nua
Me acomodar no seu seio
Até adormecer...
Faça Sol ou faça Lua.

Sei que passaria com ela assim todos os dias de minha vida
Principalmente pela facilidade com que ela vem se sou eu quem chamo
Não posso negar o quanto é cômodo...

Mas acotece que não a amo.


Snow, encontrado no caderno do quarto semestre, fevereiro de 2009.

Segunda-feira, Abril 13, 2009

U tópico!

Corrijam-me , se eu tiver errado. Tendo em vista a quantidade de inscritos e o valor das inscrições de concursos, seria possível criar nosso próprio concurso. Não se trata de um concurso sem número de vagas e sem remuneração não. Pelo contrário, seria possível remunerção estável e, muito melhor, sem carga horária de expediente pra cumprir!! Levando em consideração o menor rendimento bancário que é o da poupança e gira em torno de 0,5%, o juros do montante arrecadado com o valor das inscrições daria pra cobrir perfeitamente a remuneração de certo número de candidatos classificados, retirando o custo com a elaboração do concurso.
Por exemplo, reunindo-nos em 150.000 candidatos, num valor de inscrição de 50 reais, teríamos uma receita de 7.500.000, sete milhões e quinhentos mil reais. O gasto com pessoal envolvido no trabalho de realização do concurso e aluguel de imóveis não ultrapassaria 200.000, duzentos mil reais. Significa que teríamos , em sobra 7.500.000 – 200.000=7.300.000, sete milhões e trezentos mil. Na poupança, teríamos rendimento mensal liquido de , no mínimo, 0,5%(7.300.000)=36.500, trinta e seis mil e quinhentos. Daria para oferecer 36 vagas de mil reais ou 18 de dois mil ou 9 de quatro mil reais mensais. Isso sem trabalhar um dia e sem impedimento de exercer outra profissão.
Se daria certo?- sim, basta nos pronunciarmos num processo democrático e requisitar ao Ministério Público, Federal ou Estadual, conforme destinação do concurso, revisão de todas as fases do processo do nosso concurso para garantir que os elaboradores da prova e os envolvidos no processo estejam agindo em acordo com o determinado, SEM FRAUDE!! Chega de ladroagem no País.
Sou Servidor Público, quem sabe assim não fica mais fácil de atentarem para o fato de que a remuneração do servidor está em desacordo com a realidade financeira.

TÓPICO: REVOLUÇÃO: NOSSO PRÓPIO CONCURSO

(Postado por Rjfera, no tópico do link do título.)


Snow, Brasil a forum.

Sexta-feira, Abril 10, 2009

Empate

Certa noite o sono e o desejo resolveram duelar.
Este por suas fantasias, aquele por seus sonhos.
E como, paradoxalmente, não se poderia esperar
(Porque essas coisas ninguém sabe como),
Armados apenas de olhos fechados e de beijos,
Assim sem mais nem menos,

Deu sono.


SnowFlake.

Quinta-feira, Abril 09, 2009

Se os corpos mentem, que pensar das mentes?

Será que somos nós quem controlamos nosso pensamento?
Ou será o nosso pensamento que nos controla?
O humano tem pensamentos?
Ou o pensamento nos faz humanos?
Será que é porque eu quero?
Eu que já pensei tanto em não querer...
Que passei muito tempo pensando,
Pensando...
Em
Não
Querer...
Sei que até poderia não querer. Mas não sei se posso não pensar.
Uma forma de enganar o pensamento, adormecê-lo ao menos, é fazer coisas.
Fazer ajuda a pensar menos. Porque sobra menos tempo. Pensar exige tempo.
Fazer uma coisa após a outra evita que um único pensamento apenas povoe a mente todo o tempo. Porque a coisa que está sendo feita exige memória, usa o pensamento que sobra, força o pensamento, chama sua atenção. E embora nem sempre possua a consistência necessária para que seja gravada como memória permanente, enquanto está acontecendo requisita o corpo e a mente a fim emular-se, ao menos.
Mas não impede a latência do pensamento contrário.
O pensamento impresso na pele é quase hardware.
Nada impede latência alguma.
E pensamento é a latência da latência.
Aí então não bastaria fazer uma nova coisa somente, porque seria fazer uma coisa pensando em outra. Seria preciso fazer várias coisas cujo objetivo é dar um nó no pensamento. Travar. Obrigar a saturação. Forçar o reinicio. Já que não se pode formatar...
Pensar é essência, é o que os gregos chamavam “alma”.
Como no Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças - que por sinal achei um filme confuso e ruim, apesar da idéia ser boa - pensar em não pensar é provar por absurdo a própria impossibilidade. A única coisa que ainda deixou este filme em minha memória foi a possibilidade remota dele ter sido “planejado” pra ser ruim. Para que numa metamensagem fosse possível entender que esquecer não é o ideal. Nem mesmo num filme.
Assim, supondo que todas as pessoas “normais” controlem seus pensamentos e que todas as pessoas “loucas” não controlem seus atos, e sendo o pensamento a substância mais incontrolável do elemento humano, eu deduzo com toda liberdade da incautez, que somos todos loucos tentado parecer normais. Que a loucura é o que há de mais natural. E que pensar diferente é insensatez.
Talvez eu enlouqueça.
Não sou de fazer loucuras, me acho centrada demais. Pensante demais. Controlada demais.
E isso tudo quem olha de longe vê. Mas quem chega perto se confunde.
Porque não raro confio em alguém a ponto de mostrar as nuances, a analogia dos meus atos digitais. E em tendo acesso às minhas circunstâncias oscilantes demais, me perdem de vista.
Engraçado que seja justamente por causa destas turbulentas circunstâncias que me considere tão inflexível. Como um barco que apesar das tempestades não naufragou ainda.
Isso de “vou deixar a vida me levar, vou esquecer de mim...” não róla comigo. Talvez porque não exista esse “lugar qualquer que não exista o pensamento...”, enfim.
Me ensinaram que é possível ressignificar. E me parece ser a única saída para o pensamento, a lembrança, a memória. Mas que pra isso é preciso querer. Quando a coisa por si só não se altera ou quando a mudança desta não provoca qualquer mudança na percepção do indivíduo.
É isso, tudo que eu penso é que não quero. Eu nunca quis, eu não queria... Eu não posso querer, eu não quereria. Em todos os tempos, modos, pessoas...
Mas talvez eu queira um dia.
Talvez aconteça como a sobreposição do tempo é: natural.

Ou talvez a alma, como muitos acreditam, seja imortal.


Snow, sobre o que não tem explicação.

Quarta-feira, Abril 08, 2009

Controle remoto

"Aê, olha essa imagem aê! Eu quero essa imagem! Vejam!!! Esse cidadão que tá chutando ele aí é um policial."

(...)

Pessoal do MP, galera dos DHs, se liguem! Tudo tem que ter limites. Eu não só não consigo mais ligar a tv como também já ando assustada quando passo perto de uma ligada.


Snow, restaurante fuleirinho (só podia), hora em que fui almoçar, alguém acha de ligar...


P.S. Outro dia, mesmo restaurante, mesmo horário e programa, passaram a imagem do corpo de um rapaz sendo resgatado de um lugar onde estava caído. O corpo arrastado, o rosto arranhando no chão.
Se ainda tivesse vivo a gente pensava: "Não, o cara a qualquer momento vai levantar, vai dar um murro nessa galera, vai se defender, vai processar esse pessoal todo!".

Mas acontece que tava morto...

Curiosidades sobre Cerveja

1. A CERVEJA MATA ?
Sim. Sobretudo se a pessoa for atingida por uma caixa de cerveja com garrafas cheias.
Anos atrás, um rapaz, ao passar pela rua, foi atingido por uma caixa de cerveja que caiu de um caminhão levando-o a morte instantânea.
Além disso, casos de infarto do miocárdio em idosos teriam sido associados as propagandas de cervejas com modelos boazudas.



2. O USO CONTINUO DO ÁLCOOL PODE LEVAR AO USO DE DROGAS MAIS PESADAS ?
Não. O álcool é a mais pesada das drogas: uma garrafa de cerveja pesa cerca de 900 gramas.



3. CERVEJA CAUSA DEPENDÊNCIA PSICOLÓGICA ?
Não. 89,7% dos psicólogos e psicanalistas entrevistados preferem uísque.



4. MULHERES GRÁVIDAS PODEM BEBER SEM RISCO ?
Sim. Está provado que na blitz a polícia nunca pede o teste do bafômetro pras gestantes. E se elas tiverem que fazer o teste de andar em linha reta, sempre podem atribuir o desequilíbrio ao peso da barriga.



5. CERVEJA PODE DIMINUIR OS REFLEXOS DOS MOTORISTAS ?
Não. Uma experiência foi feita com mais de 500 motoristas: foi dada uma caixa de cerveja para cada um beber e, em seguida, foram colocados um por um diante do espelho. Em nenhum dos casos, os reflexos foram alterados.



6. A BEBIDA ENVELHECE ?
Sim. A bebida envelhece muito rápido. Para se ter uma idéia, se você deixar uma garrafa ou lata de cerveja aberta ela perderá o seu sabor em aproximadamente quinze minutos.



7. A CERVEJA ATRAPALHA NO RENDIMENTO ESCOLAR ?
Não, pelo contrário. Alguns donos de faculdade estão aumentando suas rendas com a venda de cerveja nas cantinas e bares na esquina.



8. O QUE FAZ COM QUE A BEBIDA CHEGUE AOS ADOLESCENTES ?
Inúmeras pesquisas vinham sendo feitas por laboratórios de renome e todas indicam, em primeiríssimo lugar, o garçom.



9. CERVEJA ENGORDA ?
Não. Quem engorda é você.



10. A CERVEJA CAUSA DIMINUIÇÃO DA MEMÓRIA ?
Que eu me lembre, não.



(Snow encontrou esse texto passeando no link do título. :))

Sexta-feira, Março 27, 2009

Vidas Secas

O filme parece tão árduo quanto o livro. Quanto algumas vezes adversa é a vida.
É em preto e branco como o livro. Como algumas vezes passa a vida.
E Graciciano que era Ramos mais pareceu Espinhos...
Baleia morreu de tudo um pouco. Sobrou bem menos mérito pro tiro.
E o disparo seco, o cheiro seco, o uivo seco e o sangue negro demoraram quase o mesmo tempo na retina que os dias que levei pra ler o livro.
Depois de ir à geladeira e tentar abrir o vinho comprado tinto, de mesa, a constatação de que, sem saca-rolhas, seria impossível.
Ele fora escolhido pela cor do líquido, pela garrafa mais bonita e também por, dentre as que havia, ter sido a mais cara acessível.
Achei que o rótulo não precisaria ser bem lido. Na minha imaginação sobre vinhos a idéia de que ficam tanto melhores quanto mais envelhecidos era predominante. De forma que procurar pela validade me pareceu ridículo.
Mas houve o filme, o sol, a seca...
Pensei em trocar, mas depois de quase esbagaçar o lacre, entendi o quanto era tarde...
Madrugada. Esse não era bem o final desejado. Depois que todos vão embora, a cena parece pela metade.
O desejo pelo vinho, seco, morreu ali.

E eu queria apenas que tivesse sido suave...


Snow. Sobre safra, sobre cifra, sobre sofrer.

Quarta-feira, Março 25, 2009

Ela...

É bom sentir-se bem... É bom demais, sabe?
O problema de estar bem é que a escrita fica desacreditada, desfigurada, sem rumo... por vezes, sem palavras.
O bom é muitas vezes bobo. Sem próposito, sem intenção, sem parada. O bom é quando não se sabe quando é que acaba. (Porque é ruim demais quando o bom tem hora e data marcada.)
Bom é mudar alguma coisa do lugar, mudar o lugar das coisas, ver as coisas boas seguirem seu rumo no mesmo lugar, sempre pra frente... Bom é progredir, ver que algumas coisas não são mais da maneira que eram, que algumas estão mudando, que outras de certa forma já mudaram.
É bom até quando não se está contente com o bom, só porque é certo que melhora.
E vai tudo melhorar com o tempo...
Isso inquietava, sabe?
Queria mesmo algo que quanto mais o tempo passasse melhor ficasse. O tempo angustiava desde os tempos de menina. (Os mais jovens têm realmente essa inquietude quanto aos seus rumos, seus destinos, seus aprendizados.). Nisso, os mais velhos têm calma.
É bom comer uma fruta boa...
Um cestinha de jambo, uma manga madura, abacate ao leite, uva sem caroço, um cacho...
Bom maquiar com calma, o cheiro bom de cosmético, o perfume bom, importado...
Bom andar descalça pela casa depois de um dia sobre o salto. Um banho de chuveiro quente, oléo de banho, a tolha felpuda, cama macia e uma noite inteira para ser descansada...
Comprou um hidratante novo, um ultra-hidratante em forma de pomada. E este realmente faz mais do que promete, nossa! Ele escorrega pela pele, ela absorve, ele perfuma, ela desliza, ele amacia, ela hidrata, ele entra! Ui! Se ela não tiver cuidado, ele trata!
Às vezes tá tudo tão bom que, sinceramente, não precisaria mexer em mais nada.
Mas frequentemente a alma tem saído voando pela janela do quarto... Porque recentemente tem descoberto que muito do que é bom é possível, é palpável... por vezes, inevitável.
Assim, o que foi bom ontem pode ser incrementado. O que foi bom instantes atrás pode ser repetido, e com sabor realçado.
Mais aí fica tudo tão bom, tão massa, tão extremamente agradável, que não se sabe porquê a almazinha assustada deixa o corpo e sai com tudo, como se escorraçada.
O corpo então em riste fica agonizando vazio, tremendo murcho, abraçando o travesseiro, puxando o lençol em transe, o peito arfando, os lábios apertados, as mãos comprimindo a vida, os braços que se auto-agarram, flagelados...
E é nessas horas que chora...
Desesperada.

Deve ser porque tudo o que é bom mesmo nessa vida fica bem melhor se está acompanhada. E só é bom mesmo, de verdade, aquilo que tem alma.


Snow, amêndoas, colágeno, mel, almíscar, música, geléia, vinho, ventinho bom, luz fraca... e lágrimas.

Sexta-feira, Março 13, 2009

Encerrando Ciclos

"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos, não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais?
Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.

Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração, e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa, nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.
Deixe de ser quem era... e se transforme em quem vc é!"


(*)


P.S. Esse texto circula na internet atribuído a Fernando Pessoa. Li tb que Paulo Coelho traduziu da psicóloga colombiana Sonia Hurtado e assumiu a autoria, mas ela o processou por plágio. Enfim, não investiguei isso a fundo ainda.
Me parece um texto de auto-ajuda e eu tb não sei até que ponto não auto-atrapalha, já que cada ser tem seu momento de passar as coisas adiante e, de certa forma, forçar alguém a dar um passo que ele ainda não alcansa só pq esse passo precisa ser dado, ainda pode resultar numa queda com consequências maiores.
...
Sempre ouço o mesmo disco por semanas e mesmo assim não é garantia que aprenderei as músicas. E, aprendendo ou não, se ouvi por tanto tempo, é certo que não o jogarei fora.
Minha mãe ainda guarda o meu primeiro vestidinho...
Eu ainda tenho bonecas das quais nunca me desfiz.
Visualiso duas formas das coisas acontecerem, ambas com suas vantagens e problemas:
Uma, de dentro pra fora, onde vc muda e as coisas ao seu redor não precisam ser alterdas, pq vc já as percebe diferentes.
Outra, de fora pra dentro, as coisas mudam, e vc tb. As coisas te enquadram numa situação diferente e vc não pode ter mais a visão antiga sobre elas, nem sobre si mesmo.
É claro que é muito mais fácil imaginar que alguém que perdeu uma perna deseja aprender a andar de moletas do que pensar que alguém que quer aprender a andar de moletas deseja cortar uma perna. Mas muitas vezes é assim que a gente age e assim que a vida acontece. (Vide o filho que se acha crescido, quer ser independente, e despreza os ensinamentos dos mais velhos.).
...
Acredito que já vivi o bastante pra aceitar que a maneira como cada um se desenvolve não é uma questão de opção volitiva. Assim, às vezes vc escolhe os caminhos, às vezes é escolhido pelas circunstancias e, às vezes não faz diferença nenhuma. Estou começando a pensar sobre a moldagem do tempo...
A semente, o embrião, a planta, a fruta verde, a fruta madura, a fruta podre, a semente...
Cada etapa com seu brilho, seu cheiro, seu gosto, seu viço...
Crianças agem como crianças em qualquer lugar do mundo. Adolescentes, velhos...
Um dia o tempo passa e a gente entende que acabou. Essa frase me parece mais lógica, mas natural que "um dia a gente entende que acabou e aí então o tempo passa"...
Embora possa ser que o tempo passe... e ainda assim a gente não entenda.
Embora tb, tão logo a gente entende, nos damos conta de que já passou um tempão.

É por isso que há amores que nunca serão resolvidos.
Há desejos que não serão satisfeitos.
Há etapas das quais a gente não sai. Outras, pelas quais nem se passa.
Há feridas que não cicratizarão... Há cortes que realmente matam.
Há velhos que morrerão adolescentes...

Só o tempo realmente acaba.´
Seja lá o que quer que se faça.


Snow, auto-não-auto.



P.S. Falta reler, falta reeditar.

Quarta-feira, Março 11, 2009

Efeitos

O ruim de assistir a filmes antigos é que, se já é difícil conversar com alguém que assistiu ao mesmo filme qualquer que seja, se torna então mais raro encontrar quem tenha visto um que passou na tv há muito tempo. Caso esse ser seja encontrado, mas difícil ainda será se lembrar de alguma ideia ou impressão que este lhe tenha causado para que a conversa pareça mesmo uma conversa.
Mas há alguns filmes que desejei por anos assistir e que agora reclamam com certo egocentrismo a sua vez em minha vida. Alguns, com toda razão. Então lhes concedo o prazer de me provocar as emoções que nem sei se antes seriam as mesmas.
Deitada aqui em minha cama, sozinha, sem frio ou calor, banhada apenas pela luz da tela, as emoções podem ser hoje como não seriam jamais nos tempos dos furtivos flash de madrugada, enquanto todos dormiam, sem áudio pra não chamar àtenção a ponto de ser convidada a desligar e ir dormir, adivinhando os sons ou observando as legendas na tela... Essa era a maneira mais adequada que encontrava de assistir a um filme no início da adolescência...
Fora isto, mesmo a sessão da tarde me constrangia a ir beber água ou ir ao banheiro, fosse nas inevitáveis cenas mais calientes ou nos encontros de natureza humana capazes emocionar. Já que, por algum dos muitos motivos de família, não me emocionava em família. Ainda que para tanto fosse preciso evitar qualquer contato com a emoção ou repeli-la diante da eminência.
De dentro dessa subjetividade, meus olhinhos optaram por não assistir mais filmes até que fosse possível, se um dia pudesse.
Quando tomei essa decisão jamais imaginava que haveria algum tempo onde se pudesse ter quase que qualquer coisa exibida no cinema ou na tv num arquivo ao alcance de um clique. Pois é...
Assisti Tomates Verdes Fritos.
E Ao Mestre com Carinho.
Nove e meia semanas de amor.
O Xangô de Backstreet.
O Fabuloso Destino de Amelie Poulain...
O Céu de Suely.

***

Assisti Crepúsculo essa madrugada.
Depois de quase 3 meses tentando vencer o medo de ver sozinha.
Foi bom. Quer dizer, podia ter sido melhor, apesar de que ainda nem acabou.
É... A versão que peguei tenho desde a primeira semana de estréia, dublada. O som não tá legal. Demorou um tempo até que entendesse que poderia baixar uma legenda. Demorou mais ainda até aprender a fazê-la funcionar. Depois tive que usar os conhecimentos desse meio tempo aprendendo a usar o subrip - um programa cuja função é transformar formatos e editar legendas, mas que só uso mesmo pra sincronizar - quando quem ripou o filme não é a mesma pessoa que juntou com a legenda, essas assincronias. Bom, gostaria de ter certeza de que não estou falando muita besteira, mas no momento, não é possível. É tudo novidade ainda.
Quase no final do filme a legenda atrasou novamente e como a esta altura eu já tinha entendido que não havia nada que pudesse temer, só parei de tentar resolver quando o tempo do número de tentativas excedeu ao tempo que faltava pro filme acabar...
(E também, por já estar amanhecendo, achei que seria um certo desrespeito ao filme se o permitisse acabar em plena luz do dia.).
O filme é bom. Eu achei bom. Fazia tempo que tava querendo ver um romancezinho adolescente que ainda conservasse o encanto dos sonhos adolescentes... E este está cheio disso. Lindo. Às vezes os próprios personagens duvidam que possa haver tal realidade. Um mundo à parte. E eu me sinto evasiva e cheia de pensamentos incontinentes como há uns 15 anos atrás...
Não queria estar falando de filmes em públco. Não tô pronta pra fazer crítica em nenhum sentido e, sinceramente, sinto falta do tempo em que meu blog era menos frequentado. (Que por favor não se ofendam os desavisados, eu não quis ser tão sincera. Mas a verdade é que me sentia um pouco mais segura, antes.).
Eu tenho medo do Google. Medo de que algum desconhecido digite lá a palavra crepúsculo e tropece em coisas que não são o que ele procura. Por sorte o nome do filme é bastante comum em nossa língua, mas de certo não me arriscaria a escrever tantas vezes a expressão “Slumdog Millionaire”.
No mais, vou repetir porque é importante pra mim, o filme não assusta. Medo eu senti foi de Amarelo Manga! Rs. Quase não durmo.
Não me arrependo de não ter ido ver no cinema porque o achei assim, bonito. E cinema é frio, distante, às vezes barulhento, por demais escuro... (Ou pelo menos é assim que o imagino sem companhia). E coisas bonitas eu gosto de ver em outra situação climática.
É verdade que neste momento os meus cotovelos doem bastante. É um tipo de efeito colateral desse modelo de comunicação que vem dormindo comigo. E tem outros efeitos mais. Dia desses adormeci segurando o modem. Acodei com os dedinhos vermelhos, a mão queimada. Não chega a ser um incêncio e tal, mas esquenta bastante as minhas noites e, mesmo tendo certeza que não gosto de ventilador, às vezes, é necessário.
Queria ter visto o final...
Como no início ela começa falando que apesar de não pensar sobre a morte, acredita que uma bela forma de morrer seja morrer por alguém a quem se ame, não faço idéia se irão poupá-la. Sei que personagens são coisas em que a gente não deve se apegar. Porque tudo pode acontecer a eles - mesmo o que não nos acontece há tempos.
Hoje à tarde irei baixar uma legenda nova ou continuar a tentativa de concertar esta, ao menos só pra ver. Depois vou começar a baixar uma versão mais limpa pra gravar na mídia. Preciso arquivar algumas coisas, limpar, liberar uns 80 gigas.
Eu queria muito que os dia passassem depressa. Estou um pouco sem paciência, ansiosa, intranquila.
Semana passada meu sobrinho me confessou que queria que já fosse dia.
“Eu não gosto muito de dormir, titia.”
É verdade... Oito anos, eu pensei, é muito diferente de trinta.
Não tive a mesma coragem e não lhe contei que queria mesmo era que não amanhecesse por uns longos dias.

Queria ter mais tempo pra planejar minha vida.


Snow, sobre peles e películas.

Sexta-feira, Fevereiro 27, 2009

Pequenos reflexos dos programas jornalísticos policiais da televisão de Salvador da atualidade do horário do inicío da tarde

- Minha tia, Zanza disse que ia dar UM MURRO nas costas do filho dela que ele ia ficar TODO TUBERCULOSO!
Eu pensei: isso não é mais um murro, é um PIPOCO de DOZE!!!
- :|

***

- Minha tia, por quê a senhora não coloca no seu celular: "SOCORRO! MEU DEUS! EU NÃO QUERO MORRERRRRR!!!!!!!!"
- :|

***

- Minha tia, a senhora sabe que o sistema é BRUTO?!
- :|

***


Snow, :|

Quarta-feira, Fevereiro 25, 2009

Mini manual de perguntas e respostas

- Titia, por quê a gente não pode ir agora?
- Porque tá chovendo.
- E por quê a gente não pega o guarda-chuva?
- Porque o violão não pode tomar chuva.
- Titia, quando a senhora comprou o violão a senhora comprou também o saco do violão?
- Comprei.
- Então por quê a senhora não bota o violão no saco dele e a gente pega o guarda-chuva?
- Essa é uma boa idéia. Mas eu não sei mas aonde tá e mesmo que achasse, eu acho que o violão não pode tomar chuva nem na capa, nem no saco e nem na sombrinha.
- Mas então a gente vai ter que ficar aqui esperando a chuva passar?!?
- CLARO! Ou você quer que A CHUVA espere A GENTE passar!?!

***

- Titia, por quê o cachorro não pára de balançar o rabo?
- Primeiro porque o cachorro TEM rabo.
E depois porque o rabo não pode balançar o cachorro.
Mas, principalmente, porque se o cachorro não balançar o rabo então o rabo já balança sozinho, aí pra evitar isso o cachorro balança ele logo.

***

- Titia, o que significa "suspeitei desde o princípio"?
- Significa que você tá assistindo o DVD do Chapolin que eu lhe dei.
E significa que desde o princípio ele suspeitou.

***

- Titia, olha esse monstro aqui parece com um dinossauro!
- Porque ele é um monstrossauro.
- E titia, olha esse cavalo aqui é bonito!
- Tô vendo, é bonito mesmo.
...
- Você pensou que eu ia dizer que era um cavalossauro, não é?
- :)
- Mas eu não disse.

***

- Titia, por que a senhora não trabalha num circo?
- !

***

Moral da história: Se você não pode com a criança, junte-se a ela.



Snow, de bolso.

Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009



Uma saudade viva encontra uma esperança morta
A saudade acende, a esperança está fria
A saudade sente, a esperança é vazia
A saudade quer dançar, quer abraço, música, beijo
Saudade tira uma canção ao violão, remexe uma fotos, sorri...
A saudade escreve um poema
E chora...
Ela é tão grande e parece tão pequena
Diante daquela que já não espera...
Então a saudade sozinha se toca
E tenta reanimar a outra
Inerte, sem ação
A saudade é corpo, alma, coração
Já a esperança não sente mais nada
Nem alegria e nem dor

Saudade acha que vai viver pra sempre...

A esperança sabe que morreu de amor.


SnowFlake

Domingo, Fevereiro 15, 2009

Encantos e Axé



Aterrissei bem no meio da Lavagem de Itapuã depois de pegar um ônibus errado.
Aliás, o ônibus nem era errado, apenas eu que errei em não saber que naquele dia não deveria ter feito aquele caminho.
Porém já tava ali e não iria voltar, resolvi seguir. Melhor, ir de encontro a, já que teria q andar no sentido contrário ao cortejo. Até aí tudo bem, só não imaginava era que o caminho demoraria um hora e meia do lugar aonde o ônibus retornou até o próximo ponto! Normal, já tô aqui mesmo, bora lá!
Comprei logo uma florzinha dessas que todo mudo resolveu usar pra enfeitar a cabeça. Já que era pra ir, o jeito era entrar no clima.
Andar pelo meio da pista sem tráfego de veículos foi uma experiência que nunca imaginei ter. Ainda mais com a rua assim, meio vazia, meio cheia, meio enfeitada, meio seca... Como devem ter sido todas as festas antes que soubesse que eram assim.
SAMU, bombeiros, salva-vidas, posto médico, PM, foi só o deu pra ver no inicio. “Normal, sempre me falaram tão mal dessa festa que a mínima violência que imaginei que rolaria foi o esquartejamento”. - Pensava ao me desviar dos primeiros quase-bêbados.
“Tira essa calça, mãe, vá! Tire essa calça, mainha!” - Claro q não olhei pra cara do cidadão, mas que deu vontade de obedecer, cá pra nós, segredo! Não pelo pedido pouco sutil, mas pelo sol de lascar na minha cabeça e eu com aquela calça-armadura-comprada-pra-guerra que mais parece uma fortaleza... Mas decidi não fazer como os italianos no aeroporto da Bahia. E olha que eu realmente tava na praia!
Me distraí um pouco com o Malê Debalê... Não tenho dúvida alguma que o coração da minha alma bate no ritmo dos tambores de percussão. E o meu corpo acompanha como pode. Minha almazinha retumbante, tirando o pé do chão.
Linda a coreografia dos adolescentes! Me arrepiei com os menininhos em fila do projeto social deles... Educar é preciso.
Vi um cara fazendo chapéus de palha e parei pra comprar uma esperança... Dois reais a coisinha verde que vim protegendo de tudo e de todos todo o resto do caminho como a um amuleto... Esperança cor-de-capim breve vai ficar cor-de-folha-seca... Breve será como um gafanhoto daninho e só eu saberei q já foi uma linda coisa da natureza, cor-de-verde-vida.
Esperança pra curar o medo.
Uma curiosidade foi o bloco “Somos Iguais”, o único que percebi com cordas. Corda pra quê se não tinha gente o suficiente pra misturar?! Será porque só somos iguais por dentro?!... Não sei, não bateu, não entendi.
Aliás, vontade insandescida de tomar uma latinha! Mas precisava segurar a onda. Tava sozinha, numa situação nova e precisava chegar do outro lado e viva. Resisti.
“As Donzelas “ era o nome de um caminhão enfeitado de palhas com dois homens vestidos de baby-doll vendendo churrasco em cima. Uma delas tinha um parzão de coxas tão desinibidas que me peguei pensando na carne... (Me senti uma verdadeira bicha.)
Aqui tudo é tão mar e tão festa que muitas vezes as duas coisas acontecem misturadas. Era o caso. Gringas desfilando de biquíni ou de blusinha transparente de sol e aqueles chapeuzinhos coloridos, que já é quase uma epidemia, e nativas costas-nuas e shortinhos enfiados característicos. Tudo muito bronze, muito dendê, muito “viva a putaria!”.
Pouca gente na praia, digo, na areia e na água. Na rua, muitas senhoras vestidas de baianas com seus jarros de água-de-cheiro e flores cantando hinos tradicionais, hinos sagrados, hinos de outros carnavais... Deu vontade de acompanhar muitas vezes. Deu vontade demais...
Mas meu ponto ficava a dois quilômetros ainda, em sentido contrário.
Mas a diante, uns 30 a 35 negões muito bem em forma, todos de sunga, com atabaques, timbais e pandeiros faziam uma roda de samba num som muito massa. Vontade de contratá-los pra um show lá em casa... Ai, ai! Um só já bastava! Só os vi de costas. Ia dizer q não deixaram nada a desejar, mas... deixaram. Ah, como deixaram!...
Outros elogiaram meu cabelo, tentaram me seguir, me chamaram de magrela, sorriram pra mim...

Gostei. Gostei de estar de tênis e não de salto. De ter tomado minha latinha no fim. De ter encontrado o posto da SET e do STPS no final e saber q já o ponto de ônibus deveria estar perto dali. Gostei de não ter ido pra ficar e de não ter que ficar até o fim. De estar sozinha, de ver que existem tantos humanos, que alguns eu gosto de ver como são, enfim. Gostei de ver o mar do lado direito, de ter visto de dentro que não é tão violento. Gostei de ver o riso, gostei de ter sido por engano, por acaso, no susto. Andei sorrindo quase todo o trajeto, como passista que ganhou na última hora a fantasia... Gostei porque não esperava, mas estava feliz. As coisas estava se resolvendo, era festa, era verão, era carnaval na minha terra...
Gostei tanto que certamente se não estiver trabalhando nesta data ano seguinte, quero ir com todos, no sentido certo da alegria...

Gostei de ver de perto. Gostei de mim.


Snow... É bom!

Segunda-feira, Fevereiro 09, 2009

Por outro lado...



Hoje comprei uma porção de jambos
E os comi.
Assim, tal qual criança de quem,
Da boca,
Não se pode mais tirar o doce...


Snow, cor de fruta.

Sobre fardas e becas

Não faz mais diferença as circunstancias.
A humanidade se perde em motivos, motivações, interesses...
Os interesses se envolvem em outros interesses, se entrelaçam. Quanto menos informação, melhor. Quanto menos a ponderar, melhor. Quanto menos se tiver que ouvir, melhor.
Não é só vc, não, são todos. Todos ao seu redor.
Cada um na sua, cada qual no seu cada quem.
Quem se interessa pelos agravantes? Atenuantes? Ninguém.
É o seguinte, se vc pode pagar, então tá tudo beleza. Se não pode, vc não existe. Não faz sequer diferença.
Como é q sobrevive a esperança numa atmosfera dessa?
O pior é q a turma do “no stress”, a mim, parece pior. Conheço criaturas q são capazes de tornar em caos todo o grupo, só pra manter a sua filosofia particular de "não esquentar". Há quem não faça nada além de fazer tudo o possível pra não ter que fazer nada, que pensar em nada, que decidir nada, que entender nada... Com esses eu nem me preocupo, porque em breve não terão mais acesso a mim. Mas lamento. É uma pena q a lama esteja em todo lugar.
Sobre o curso, eu não gostei do ambiente em que estudo. Da maioria dele. Do sistema.
E olha q eu faço um curso, senão de alma, o mais perto possível do contato com o outro, ao menos num nível científico, acadêmico!
Estou certa que não encontrarei pessoas melhores no mundo das leis e do Direito, por uma questão de probabilidade também. Até porquê, pessoas assim, não se pode procurar.
Mas não é por isso, não é também pelas coisas do espírito que vou. Mas por coisas que descartei durante muito tempo, me afastei, exclui, deixei pra lá.
Status, por exemplo.
Dinheiro.
Poder.
Poder existir, poder ser, poder falar.
E será assim mesmo, sabe? Preta, nordestina, mulher, de origem humilde, não sei sambar, não sairei na playboy... Juíza.
Alguma coisa q não posso mais conter me condiciona com tanta força que sinto-me empurrada, compelida, impulsionada a ir e fazer e ser.
Eu, pelo menos, ainda pondero as circunstancias. Eu ainda vejo o humano por trás da culpa, da escolha, do fato.
O que, aliás, há muito q não fazem comigo, antes de julgar. Há muito que tenho andado invisível.
Escolher ser o q serei é também abrir mão de esperar q me entedam, que me ouçam ao menos ou que simplesmente me vejam.
Não é que deixei de acreditar nos meus valores. Só desisti de querer encontrá-los em outros seres.

Eu sei, eu bem sei, que uma pessoa não é a profissão que exerce nem o cargo que ocupa. Mas acontece que estão todos surdos e eu já gritei tanto que, de tão rouca, fiquei muda.


Snow, nua.

Terça-feira, Janeiro 20, 2009

Registros

A minha escrita nasceu de duas vertentes distintas e opostas.
Uma delas, a mais bela, das cartas de amor...
A primeira escrita em primeira pessoa foram poucas palavras que não conseguiam dizer muito, porque nem eu me entendia àquela época – como ainda nem sempre entendo-me agora – mas tinham a pungente necessidade de registrar aquilo que sempre me pareceu sobrenatural: as emoções humanas, as sensações e os sentimentos de atração pelo outro, elemento motor do afeto, combustível do psiquismo.
A outra vertente veio tão logo descobri que tinha a capacidade incompreensível, ao menos pra mim, de esquecer completa e muito rapidamente o mal que me fizeram.
De tanto não entender como depois de uns dias passava pela rua por uma pessoa de quem algo me dizia que deveria odiar e eu sorria, por já não lembrar mais o porquê, decidi escrever.
Era assim que, ainda sob a umidade das lágrimas, registrava o cenário, o contexto, a data, descrevia a expressão, os gestos e o máximo que eu conseguisse lembrar das palavras e do diálogo da cena da discódia.
Feito isto, só então registrava em última linha como me sentia e o meu parecer final ao dossiê. Era algo como:
"Estou muito triste diante disso tudo.
Decidi que não devo mais permitir que haja qualquer aproximação entre nós."
E quando batia a dúvida, assim como as cópias das cartas guardadas, eu relia.
É, mas o tempo passa... E a gente vai estudar no Cefet, esquece o que nossa mãe ensinou sobre não pegar caronas. Vai pra internet, esquece que não se deve falar com estranhos... Esquecemos até nossas próprias regras de sobrevivência!
Era época diferente. Escrevia-se pra declarar, revelar, noticiar. Como quando foram feitos os primeiros perfis do orkut, de gente, com seus pecados e ações de graça.
Hoje em dia a escrita se especializou em ocultar. Vide a explosão de evasivas e fakes, cadeados, restrições e afins. Foi-se o tempo em que as palavras expressavam sentimentos. É chegado o tempo em que os sentimentos não expressam quase nada.
Hoje lembrei que faz tempo que não escrevo uma carta...
Faz tempo também que não relato uma briga.
A vida vai ficando cada vez mais cheia que parece cada vez mais vazia.


Eu era muito feliz e embora ande perdendo memória faça já uns anos, diferente de agora aonde tudo se deleta num piscar de olhos...
Ah, eu sabia!


Snow. Flake, flake...

Sexta-feira, Janeiro 16, 2009

Aurora

Apenas a escuridão a absorve.
Vagueia pelo caminho das árvores e colinas cheias de mistérios procurando por algo vivo, enquanto é tempo.
Nada mais além de andar como se de olhos fechados aonde o calor vem do sague que jorra por entre os lábios. E alimenta...
Sente sede e fome. O mais, há muito que esqueceu o gosto.
Já não sabe o quanto de humana carrega ainda desde a última vez que se viu num espelho. Está fria, faz tempo que já não reflete.
E enquanto os dentes roçam a carne ávida por ser devorada ela crava, sorvendo o que pra muitos deve ser vida.
Uma eternidade se passou desde que fora criada. Já não faz mais aniversário. Pouco importa se haverá lua, chuva, frio, calor, nuvem, estrelas... O único tempo que existe é a madrugada.
Se esconde da luz, foge da cruz, já não tem alma.
(Não entende porque ainda chora.)
Gosta do mar, da areia, do vento... Mas sua pele sensível se incineraria ao sol, numa praia.
Não respira, não cresce, não gera, sequer morre...
É assim que vive.
Só vive enquanto está escuro, só existe se anoitece...

E nos demais dias ela dorme.


Snow, shadows.

Terça-feira, Janeiro 06, 2009

Rechargeable Mosquito-hitting Swatter

Comprei uma raquete elétrica inseticida, dessas que os camelôs de todo o Brasil, imagino, resolveram importar de Taiwan ou de algum outro país que escreva em ideográficos.
Já havia experimentado uma vez e vi que a eficácia é realmente surpreendente, pois como consegue produzir uma tensão de saída de 2500V, o mosquito, ao encontrá-la, deixa apenas um cheiro de churrasco carbonizado no ar.
É certo que também dá uns choques na pele, se está ligada e encontra uma parte do corpo desprotegida. - Achei essa parte perigosíssimo para as crianças, embora pense que se na infância tivesse tido a felicidade de encontrar tal brinquedo, como não seriam mais radiantes as minhas tardes quando eu teria sido a mais invencível caçadora de mosquitos da galáxia!
Mas o que me motivou agora a adquiri-la foi mesmo esse verão que chegou com as suas peculiaridades da estação e que trouxe coisas que nunca tinha visto de tão perto quando ainda havia pessoas ao meu redor pela casa cuidando das coisas que eu nem notava.
Desta vez, os mosquitos vieram junto com o calor, de modo que já não posso abrir as janelas ou a porta sem ser obrigada a usar algum tipo de combate/proteção.
O ventilador existe, mas está ali no canto, na caixa ainda. Aguardando por ser instalado pelo filho do dono da casa e me lembrando com a sua impossibilidade que a casa não é exatamente minha. Nada é exatamente nosso – algum deus ou demônio já nos deve ter feito crer nisto. Mas, como esquecemos nossas crenças por algum hábito, um ou outro sempre arranja algum jeito material de nos lembrar.
Inseticidas também são muitos. Espalhados pela casa aos litros, em cada cômodo, dado o incômodo que me causam estes pequeninos seres, por vezes, invisíveis. Mas acontece que dei pra ter alergia aos que não são à base de água... E os que dizem que não têm cheiro também não me cheiram nada bem. Tentei aqueles que produzem fumaça, mas minhas roupas fedendo a incêndio no dia seguinte não compensaram não ter amanhecido toda cheia de picadas. Sem contar que a palhaçada toda não mata, só espanta os insetos que rapidamente se recolhem a guarda-roupas, gavetas e armários pra voltarem com mais fome mais tarde... Tudo fumaça.
Quando pequena, lembro de uma vez em que minha mãe comprou um desses que emitem um som inaudível aos humanos, mas que incomodam aos mosquitos, desses que são presos à tomada e a gente só troca o refil. Porém, não deu certo por dois motivos: a manutenção cara e amplitude de ação baixa. Dessa maneira, se era ligado no nosso quarto, os mosquitos atormentavam quem estivesse na sala além do que, essa exigência de sempre mais aparelhos e mais refis foi auto-eliminatória da tática.
Repelente é completamente desaconselhável pra ser usado no calor de quem prefere hidratante, mesmo os à base de água. Sem contar que o contato com os olhos que eles mandam evitar, é, por vezes, inevitável.
Por tudo isso a raquete veio bem a calhar. Exceto por um detalhe:
O momento do encontro do corpo com a tela eletrificada rompendo a rigidez dielétrica do ar produz um barulho, um tipo de “plackt” súbito, que me assusta e me vejo instantaneamente jogando tudo pra cima, ou deixando cair, ou gritando assustada, e sempre uma dessas três reações, de modo que ainda não consegui acostumar.
Tem algo a ver com a visão do poder fatal do objeto que mata.
A primeira vez que tive contato com essa sensação foi aos cinco ou seis anos, quando senti o peso da arma de meu pai, militar, voltando pra casa depois de um dia de trabalho. Aquele “deixe isso aí” determinado me fez sentir mais que o peso de uma taurus, trinta e oito, carregada. E eu deixei mesmo lá.
Há em minha cozinha um jogo de quatro facas que, por não cozinhar em grandes quantidades, mantenho na caixa ainda lacradas. Mas ontem um técnico esteve aqui pra consertar a geladeira... Foi a primeira vez que alguém estranho entrava em minha casa. E, por alguma estranha razão, eu me lembrei de guardá-las.
Os golpes fatais do Goshin também me despertam ao mesmo tempo a necessidade de aprender a neutralizar, ou atenuar. Embora no fundo eu saiba que... Pois é, tem certas coisas que a gente sabe que não dá pra ensinar.
Então a raquete está ali, do lado direito da cama, encima do criado que não fala nada, como uma bala engatilhada esperando vitimar...
Um mosquito, sabe? Uma coisinha de nada insignificante mesmo, que não fará falta alguma à natureza e cuja existência pode trazer uma série de transtornos à raça humana e contra a qual eu possuo o porte de uma, com toda a minha imodéstia infantil, poderosíssima e infalível arma...

Mas eu tenho medo de matar.


Snow. às moscas.

Quinta-feira, Dezembro 25, 2008

Note e Net

Estou neste momento me perguntando se esta imperativa tecnologia recém chegada me deixará pelos próximos dias fazer alguma coisa que não seja fazer apenas tudo o que eu não fiz a vida inteira?
Não, a vida inteira é exagero. Mas uns 13 anos é a minha conta desde que desejei ver um pouco mais de perto tudo isto do que ainda hoje não entendo quase nada.
São seis da manhã e eu não pude fazer outra coisa desde ontem à noite... hipnotizada, enfeitiçada. Diria, terrivelmente amaldiçoada como um viciado. E já estou me perguntando se haverá mesmo uma cura – o que a esta altura, já tenho dúvidas.
Pode até haver, mas por hora vou baixar todos os pequenos arquivos que armazenei em e-mails e vou ler todos os que não foram ainda lidos e vou transformar tudo o que for de caractere em byte. E quando tudo o que hover pra fazer esgotar, porque tudo o que é infinito satura, então eu desde já tenho medo que, dependente, não saiba mais o que fazer a não ser ser... on line.
Desliguei agora à pouco porque já implorava o corpo, mas a ansiedade não quer deixar dormir, nem comer – claro, comigo o verbo comer é o primeiro que vai pro espaço – logo as outras funções vitais ficam todas debilitadas até que o corpo obriga a parar. Mas deitada, sinto que sou uma extensão dos pulsos elétricos. Como quando a gente chega de uma viagem de barco. Vejo que não é à toa a expressão “navegar” ter se adaptado tão bem a este universo. Confesso que estou meio tonta.
Olhei agora à pouco pra o Nietzsche em cima da cabeceira, meu velho companheiro nestas últimas noites antes do sono, estava quase terminando... Senti pena dele. Quando será novamente que terei a paz de ler em papel aonde a figura não está ao alcance de um clique? Nisso o Nietzsche ainda tá na frente dos 4 últimos que comprei. Meu Deus o que será do Garcia Márquez? Pobre Neruda sem hiperlynks... Será que ficarão todos na cabeceira observando impassíveis o piscar das janelas através da minha íris...? Ou será que serão recolhidos ao armário pra liberar espaço pros hardwares...?
Agora sinto um pouco de culpa e pena dos artesanatos que tava fazendo faz pouco tempo e que já quase escrevi que “fazia”... Quando será que terminarei aquelas florzinhas...? Pelo desenrolar dos acontecimentos, parece que só depois do último backup.
Como uma criança que ganhou um brinquedo complexo, quero entender como funciona e isso exigirá a remoção de algumas peças... - É claro que não farei isto, também por causa da garantia, etc. - Mas a sensação de curiosidade, deslumbramento e receio são idênticas.
Acabei de me dar conta que este talvez seja o último post em folha de papel que escrevo. Porque em breve a tecnologia dos RSSs chegarão pela rede, em fonte padrão, quase no automático.
Não sei, não sei mesmo. Estou com muito medo desse negócio de gerenciar tarefas, instalar aplicativos e administrar.
Mas já botei a máquina em stand by e já agendei as próximas atualizações pra mais tarde. E agora estou com muito sono...

Preciso reiniciar.


Snow, virtual.

Quarta-feira, Dezembro 17, 2008

Ai, ai...

Toda esperança é uma presunção. Uma superestimarão de si ou do todo.
A esperança nasce do desejo e desejar é achar possível o que pode não ser.
Esperar é acreditar, ter fé. Seja por se achar merecedor apesar de difícil o objetivo ou por achar que o objetivo é fácil.
Ter esperança é "realizar" o talvez sob as melhores circunstâncias. É ver o ideal, é apostar na possibilidade. É desafiar a lógica às vezes e enxergar um túnel onde se tem cruzamentos. É entender que "só pode ser!" quando, na maioria das vezes, nem poderia... E encontrar mais um motivo pra agradecer a Deus, ao anjo-da-guarda, ao amuleto da sorte, ao orixá.
Ter esperança é eleger uma situação como melhor, embora pouco provável. Visualizar o caminho até o ideal. Andar por ele às cegas, sem a certeza se se afasta ou aproxima do acaso do encontro.
Pra se ter esperança é preciso não desejar detalhes. Só uma imagem difusa – sem este afastamento, seria impossível aceitar o “presente” quando este enfim chegasse.
É preciso deixar as lacunas para que a própria esperança as preencha. Sem as quais, ela ficaria de mãos atadas.
O paradoxo é que quanto mais a esperança esteja desfocada, maior a sua probabilidade de dar certo, se superados dois dos possíveis obstáculos que podem vir acoplados:
O primeiro, é que a gente pode não reconhecer o bem. E nesse caso acharmos que não era bem isso o que esperávamos;
No segundo caso, o bem pode não nos reconhecer. E aí ficaremos frustrados.
Na verdade, pra se ter esperanças é preciso desejar o mínimo possível, a menor unidade esperançável: um estímulo, um estado, uma sensação... Qualquer coisa de pessoal e subjetivo que se possa realizar com o material. Dessa forma será sempre emocionante quando tivermos conosco o algo tão almejado.
E olharemos nos seus olhos – se ele olhos tiver – e nossa alma ofegante falará pelos poros, pulmões e lábios:
Eu já sabia! Isto é tudo pelo qual há muito tenho esperado! E era exatamente assim, cada detalhe...

É... Tá explicado.


Snow, verde, verde...